13 anos depois: os caminhos dos réus da Kiss fora das grades

13 anos depois: os caminhos dos réus da Kiss fora das grades

Fotos: Studio Méliès/ Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal/ Nathalia Scnheider (Arquivo Diário)

13 anos após a tragédia da Boate Kiss, Elissandro Spohr, Luciano Bonilha Leão, Mauro Hoffmann e Marcelo de Jesus dos Santos, condenados pelo incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, vivem hoje em condições distintas fora do regime fechado. A tragédia, que aconteceu na madrugada de 27 de janeiro de 2013, matou 242 pessoas e deixou mais de 630 feridos, tendo sido a maior da história do Rio Grande do Sul.

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Rotinas marcadas por restrições judiciais, tentativas de reconstrução pessoal e o cumprimento de penas em regimes mais brandos, como o aberto e livramento condicional, marcam um novo ponto para os quatro envolvidos. Desde o final de 2025, a situação jurídica dos réus teve mudanças. Dois estão no regime aberto, morando em suas casas com uso de tornozeleira eletrônica, e dois obtiveram a liberdade condicional, sem monitoramento. Eles ainda têm entre oito e nove anos para cumprir das penas, de 11 e 12 anos.

 
Mais velhos e com aparências mudadas, os réus vivem em Santa Maria, São Vicente do Sul e na Região Metropolitana de Porto Alegre. Não foi possível confirmar onde moram Elissandro e Mauro. Os empresários do ramo de diversão noturna sempre estiveram afastados da mídia. Mauro chegou a morar em Santa Catarina antes de voltar ao Rio Grande do Sul para cumprir a pena na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan). Elissandro, segundo foi possível apurar, viveria na casa da família em Porto Alegre.

 
Apenas as defesas de Marcelo e Luciano divulgaram alguns detalhes da rotina dos ex-integrantes da banda Gurizada Fandangueira, onde moram e no que trabalham.
AVTSM se manifesta
A evolução das penas e a saída dos réus do regime fechado, no entanto, é contestada por familiares das vítimas. Flávio Silva, presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), afirma que as decisões judiciais que permitiram progressões de regime e concessão de benefícios representam um cenário de “injustiça” que, segundo ele, ainda persiste mais de uma década após o incêndio.

– Isso mostra que a injustiça continua se perpetuando – disse em entrevista recente à Rádio CDN.

Em janeiro, tragédia completou 13 anosFoto: Guilherme Brum (PMSM)

A associação ingressou com recursos nas instâncias superiores, que já tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, posteriormente, devem chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa dos familiares é de reversão das decisões que reduziram penas e permitiram progressões de regime.

Segundo Flávio, a entidade também articula mobilizações em Brasília para pressionar pela análise dos recursos. A possibilidade de uma vigília em frente ao STJ está entre as ações em discussão.

– A gente tem necessidade de reverter essa situação, e vamos reverter – garantiu.

Confira abaixo a situação dos quatro réus acusados pelo incêndio na Boate

​Elissandro Spohr
Conhecido como Kiko, Elissandro, 43 anos, era um dos sócios da Boate Kiss. Até o início de março, ele estava recolhido na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), quando obteve decisão judicial que autorizou a progressão de regime. A Justiça concedeu o direito de cumprir a pena em regime aberto, em casa, com uso de tornozeleira eletrônica. Elissandro mora na região metropolitana de Porto Alegre com a esposa e duas filhas. A pena é de 12 anos. 

Elissandro Spohr era um dos sócios da Boate KissFoto: Studio Méliès


Com a medida conquistada pelo escritório Maia e Lima Advocacia, Elissandro havia se tornado o primeiro entre os condenados pelo incêndio da Kiss a alcançar a liberdade sob monitoramento eletrônico.

Situação jurídica
A progressão para o regime aberto foi concedida após pedido da defesa e análise do cumprimento dos requisitos legais. Mesmo fora do sistema prisional, o empresário deverá seguir uma série de condições impostas pela Justiça. Entre as determinações, estão o uso de tornozeleira eletrônica, a obrigatoriedade de manter vínculo de trabalho e o comparecimento periódico em uma unidade judicial para prestar informações sobre suas atividades.

A defesa de Elissandro optou por não se manifestar, e informou que o réu cumpre a pena, respeitando integralmente todas as condições impostas, e neste momento não deseja qualquer tipo de exposição.

Marcelo de Jesus dos Santos
Marcelo, 45 anos, era vocalista da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava no dia do incêndio. Ele foi condenado a 11 anos de prisão, e, agora, está em liberdade condicional. Marcelo vive atualmente em São Vicente do Sul, onde cumpria a pena no Presídio Estadual. Ele mora com a esposa e duas filhas. O músico passou a cumprir os 11 anos de pena em liberdade sem monitoramento após decisão da Justiça em 13 de março de 2026.

Situação Jurídica
De acordo com Tatiana Borsa, advogada de Marcelo, mesmo fora do sistema prisional, Marcelo segue submetido a uma série de condições impostas pelo Judiciário. Entre elas, estão a obrigatoriedade de comparecer a cada três meses ao Fórum, e as restrições de deslocamento, onde não poderá deixar a comarca. A defesa afirma que o músico vem cumprindo as determinações judiciais e busca reorganizar a vida pessoal e profissional após anos de processo e cumprimento de pena.

Marcelo de Jesus era vocalista da banda Gurizada Fandangueira, que se apresntava na noite da tragédiaNathalia Schneider (Arquivo Diário)


– Marcelo foi beneficiado pelo livramento condicional, que é um benefício que a Lei de Execução Penal prevê para quem cumpre os requisitos objetivos, que são o tempo de pena e o bom comportamento. Preenchidos esses requisitos, o juiz analisa e defere – afirma Tatiana.

Luciano Bonilha leão
Luciano, 48 anos, era o auxiliar de palco da banda na época do incêndio. Ele mora Santa Maria e, atualmente, cumpre a pena de 11 anos em liberdade condicional, sem uso de tornozeleira, conforme o advogado Jean Severo. Ele ficou preso no Presídio Estadual de São Vicente do Sul, junto a Marcelo de Jesus dos Santos. 

Livre da cadeia, ele cumpre as condições impostas pela Justiça, como apresentação no Fórum de Santa Maria, proibição de deixar a cidade e a manutenção de atividade profissional. Ainda segundo o advogado, Luciano trabalha com serviços de montagem. No período em que esteve preso, teria trabalhado dentro do sistema prisional, realizado cursos e concluído o Ensino Médio. 

Também fez capacitação na área de culinária. Na vida pessoal, o réu mantém um relacionamento estável com uma companheira há mais de cinco anos e não possui filhos.

 
O que ele mais queria era terminar essa história. O caso é triste, histórico, mas ele tem que seguir a vida. Esse é o objetivo dele, de continuar trabalhando, vivendo com a família e virando essa página finalmente – diz Severo.

Luciano Bonilha era produtor da banda na época do incêndioArquivo Pessoal

 
Situação jurídica
A defesa afirma que o processo está encerrado do ponto de vista prático e considera improvável uma reversão da situação atual. Isso mesmo diante da movimentação de familiares de vítimas, que recorrem das decisões judiciais.

Mauro hoffmann
Também defendido pelo escritório Maia e Lima Advocacia, Mauro, 60 anos, na época do incêndio também era sócio da boate Kiss e foi um dos condenados pela tragédia. Ele estava em regime semiaberto desde novembro de 2025 até obter nova decisão judicial, no dia 12 de março, que autorizou a progressão para pena em regime aberto, com uso de tornozeleira eletrônica, mas podendo morar em casa. A sentença atual é de 12 anos. 

A pena também era cumprida na Penitenciária Estadual de Canoas, onde estava Elissandro. Antes de ir para a cadeia, Mauro chegou a morar em Santa Catarina

Situação jurídica
Mesmo com a progressão para o regime aberto, Mauro deverá seguir uma série de determinações impostas pelo Judiciário. Além do monitoramento eletrônico e do recolhimento no período noturno, ele deve manter uma atividade profissional. A medida foi autorizada após pedido da defesa e o reconhecimento do cumprimento dos requisitos previstos na execução penal.

Mauro Hoffmann também era uma dos sócios da Boate KissFoto: Nathalia Schneider (Arquivo Diário)

 
A reportagem entrou em contato com a defesa para mais informações, mas o escritório Maia e Lima Advocacia optou por não se manifestar. Apenas alegou que o réu está cumprindo a pena, respeitando integralmente todas as condições impostas e neste momento não deseja qualquer tipo de exposição.



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